quarta-feira, 22 de junho de 2016

Um dia...

Um dia vais olhar para trás e perceber
Que uma alma pura se desvaneceu
Perante a crueza do teu olhar
Que a amizade e carinho que
a ti dedicou foi sincera,
Que as brumas dos teus dias
Foram partilhadas sem reclamações,
Um dia vais perceber que as plantas
do teu quintal foram regadas, semeadas
E delicadamente cuidadas,
Um dia vais perceber...
E já cá não estarei,
Restando, tão só, o retrato amarelado
De uma recordação...

Esmy

terça-feira, 21 de junho de 2016

Presunção e água benta...

Há pessoas que se consideram o centro do universo e o último pedaço do momento, como se o universo fosse uma realidade só sua e os outros que cá andam fossem os imberbes e imbecis do momento.

Presunção e água benta, cada qual toma a que quer, e este mundo está encharcado de seres que tratam os outros por diminutivos, só para se sentirem superiores, não enxergando o ridículo a que se sujeitam.

Estou farta de semi deuses, de donos da verdade e da razão e confesso que me divirto interiormente ao lhes sentir a kilómetros o cheiro a podre e maledicência. 

São uns infelizes que mais não fazem senão tolher a vida aos outros e ainda do alto da sua soberba se dispõem a interpretar o papel de falsas vítimas, com lágrimas de crocodilo.

Atacam deliberadamente quem ouse entrar no seu pseudo território, que não passa de uma ilusão, mas cegos que estão de vaidade, não entendem, que até os bens de que são proprietários, um dia poderão perder e mesmo que assim não aconteça, não os levarão para a cova.

Somos seres passageiros, e apenas donos das nossas vontades, já que o futuro a Deus pertence e ninguém poderá prevê-lo.

Sejamos capazes de enxergar a realidade e aceitar que existem pessoas que não pretendem passar por cima de ninguém, que se dirigem aos outros com cordialidade e educação, mesmo que isso implique não simpatizar particularmente com aquela pessoa.

É tudo uma questão de educação, escolha e acima de tudo honestidade consigo mesmo.

Posso não ser muito grande, em altura, mas tomaram muitos chegar-me aos pés, até porque o meu nome já é grande o suficiente e não precisa de acrescentos.

Esmy 



segunda-feira, 20 de junho de 2016

Se perguntarem por mim

Se perguntarem por mim,
Não se preocupem que eu fui por aí,
Sem rumo, nem destino certo,
Escusam de enviar recados, pelo pombo do correio,
Que já conheço de cor e salteado,
Não se preocupem, que eu sei defender-me
O caminho a mim pertence
E cada um tem direito a caminhá-lo,
Da melhor forma que pode,
Sou grande, sou mulher, sou genuína
A personagem principal na história, sou eu
Que é minha e que eu decido como conduzir,
Deixem-me que eu voltarei...


Esmy


domingo, 19 de junho de 2016

...



A palavra desistência sempre me causou algum desconforto. Fui educada por uma mãe lutadora , que desde cedo me incutiu disciplina, ambição e independência, não obstante ter vivido sob o seu olhar perscrutador.

Não nasci para agradar os outros, mostro-me sem medos, por ser essencial à minha sanidade mental e por não conseguir lidar com a dissimulação, que me repugna. 

Sou lutadora, mas por vezes a força interior esvazia-se e o mundo parece desabar-me perante os meus pés cansados e a minha alma pede descanso urgente.

Paro, peço-me tempo, mas não desarmo, mesmo sabendo que o futuro é incerto e não depende só de mim e acima de tudo não desisto dos meus sonhos, matando a tentação do abismo.

Embrulho-me no meu escudo e aguardo dias mais cintilantes e reluzentes, enquanto não me permito desabar, nem não me amar acima de tudo.

Esmy 






sexta-feira, 17 de junho de 2016

Ela sabia...

Ela sabia que nada poderia fazer para lhe recuperar o músculo, que apenas batia por ser essa a sua principal função naquele momento.

Os dias passavam-lhe como um mar revolto, em constante frenesim perante os seus olhos desatentos e ofuscados e cujo brilho, que lhes era característico morrera há uns tempos atrás, sem direito a uma despedida à altura.

Adormecera em si a tentação de sair daquela inércia, que já se empregnara na sua alma e ela própria começava a padecer da sua dor, sem se dar conta. Sentia-a como sua e sofria com os seus diálogos silenciosos, que mais queriam dizer, não estou aqui, mas algures em memórias passadas.

Ela, perdida, abria-lhe o coração e a mente na esperança de o trazer à razão e ofertava-lhe algum do seu tempo, a amizade nos mais singelos gestos e cobria-o de alento, enquanto ia ela própria perdendo os dias e as horas, sem retorno.

Ela nada podia fazer, a não ser estar presente e consciente de que nada dependia de si, mas de escutar os silêncios e respeitá-los, mesmo que para tal implicasse, sentir-se abandonada num barco com dois remos...

Esmy 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Hoje não estou...

Hoje estou aqui, mas na verdade não estou... Estou exausta e imagino-me distante desta dimensão, desta realidade. 

Dou piruetas perfeitas, como uma bailarina experiente, no palco montado e ornamentado para a ocasião, até ficar com o meu cérebro aturdido pela tortura que lhe imponho.

Aqueles que me observam não entendem a perfeição e o esforço investido naquela performance e levantam-se sem qualquer pudor, nem clemência.

Outros vão subsistindo, fixando o olhar e esforçando-se por perscrutar a minha alienação, que os ultrapassa.

Resto eu, absorta e totalmente indiferente ao que se passa, degustando os odores que inalo, sem pressas e aguardando que chegues para me libertares e segurares pelos braços, garantindo-me a segurança e proteção que anseio. 


Esmy 



domingo, 12 de junho de 2016

Remember Paradise




























Completa-se, hoje, um ano que encetei a minha aventura por terras africanas e eternizadas, por Miguel Sousa Tavares, no seu romance, "Equador".

As expectativas eram altas, a excitação e o fascínio pela natureza acompanhavam-me, desde o primeiro momento no qual, eu e uma amiga decidimos escolher este destino para empreendermos uma visita completa, onde o tudo, ou nada, eram as palavras de ordem. Pouco tempo depois seguiram-nos um casal, que muito prezo e que igualmente bebiam da mesma sede de descoberta.

Chegamos de madrugada a um País pobre, mas de um beleza singular e de um calor humano que só por quem lá passou poderá atestar.

Vivi na sua total plenitude a paz que almejava e necessitava com urgência naquele momento e dei-me conta de um povo sorridente e acolhedor, que, apesar das circunstâncias e falta de recursos, imanavam sorrisos que preenchiam profundamente e de forma singular o nosso ser.

Posso afirmar que já fiz algumas viagens por esse mundo fora, mas esta tocou-me particularmente, pelas mais diversas razões e ainda hoje agradeço esta experiência, que estou certa, não me depararei tão cedo.

Não esquecerei o céu estrelado mais puro que vivenciei em toda a minha existência, o som do mar a bater na areia, enquanto me embrenhava nos lençóis e da Paz e plenitude que senti e que tanto procurava.

Ali fui feliz e sem saber...


Esmy