quinta-feira, 8 de setembro de 2016

C. e J.



C. tinha apenas dez anos, com maturidade acima do esperado, menina de olhos doces, de um azul cinza raro, de pele cor da neve, com o rosto pintalgado de sardas e um cabelo fino, mas com brilho a oiro, características que tornavam singular a sua beleza, rara por aquelas bandas, num local recôndito, com vales e montanhas, pejadas de pinheiros e flores silvestres de cores suaves.

J. acabara de regressar de África, para onde fora atirado ainda um infante e regressara do alto dos seus 17 anos, já semi adulto e sujeito às maiores provações. Era altariqueiro, desengonçado, de pele morena e olhos castanhos, expressivos e discretos, mas que não passavam inócuos ao olhar mais perscrutador.

C. não lhes resistiu, mas negou-o com todas as forças, apelidando-o de terrorista e fugindo-lhe desesperada, sempre que com ele se cruzava. Ele observou-a discretamente, desde o primeiro dia que lhe colocou os olhos rapineiros e não mais a perdeu de vista.

J. deleitava-se com o seu cheiro a flores de jasmim, sempre que por ela passava e cerrava os olhos, já cegos de paixão juvenil, enquanto lhe imaginava a suavidade do toque e a aceleração descontrolada do coração, que prometera não evidenciar.

Desconhecia-lhe a idade pueril, já que a altura acima da média e a sua impertinência o fizeram crer tratar-se de uma menina-mulher, que veio, para sua decepção, a constatar mais tarde, tratar-se de um amor proibido, mesmo no decorrer dos anos setenta. 

C., menina persistente, apesar da negação exterior, marcou-o no coração e disse para si mesma, que J. iria ser seu e que demorasse o tempo que fosse necessário, se casaria com ele e faria dele o homem mais feliz à face da terra. Encantara-se por aquele olhar penetrante e misterioso, pela sua discrição e pelo seu jeito desajeitado de ser, que lhe arrebatava, nos seus mais íntimos pensamentos, sorrisos bobos. 

C. e J. dariam início à mais bela história de amor passados 4 anos, desde a primeira vez que os seus olhares se cruzaram, ela com 14 e ele com 21. Enamoraram-se, fizeram juras de amor e quando já mais nada havia a fazer, senão unirem os seus caminhos, J. pediu a sua mão, como exigiam os costumes.

A união deu-se num belo e soalheiro dia de verão, em meados de Julho, C. com 17 anos e J. com 24 não tiveram dúvidas sobre o passo que estavam prestes a dar e decorridos que são 35 anos continuam unidos, pais de três filhos, mas acima de tudo companheiros e inspirados pelo amor que os uniu.

São um exemplo, uma fonte de inspiração e de cumplicidade de almas distintas, mas que se complementam nos mais ternos gestos, exibindo os mesmos sorrisos de outrora e que eu tanto aprecio observar.

Que o vosso amor seja sempre repleto de cores resplandecentes e que as nuvens cinza sejam bloqueadas pela vossa energia única, meus queridos tios.

Esmy 


25 comentários:

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    1. Verdade, sem dúvida que são! Beijinhos

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  2. Que bonitas palavras Esmy. Assim haveriam de ser todas as histórias de amor, para sempre :) Boa noite

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    1. É linda mesmo e eu acompanho-a desde sempre :)

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  4. Ó coisinha, diz-me lá uma coisa... Tu és escritora e dás umas baldazitas de vez em quando aqui para o blog ou estás simplesmente a passar ao lado de uma carreira na literatura fulgurante que o teu talento para a escrita assim construiria? É que estou mesmo aqui na dúvida!

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  5. Coisinha?! Isso é lá forma de tratar uma menina e depois disfarçar com um elogio destes ;) Estás enganado, sou uma simples mortal que gosta de escrever e tão só.

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    1. ahahahah, só o Lápis com um saída destas AHAHAHAHAHAHAH

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    2. Podes crer, já não sei que lhe diga, eheheh

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    3. Pois, é uma no cravo e outra na ferradura para não ficares mal acostumada :P
      Blá blá blá... tereteteu, pardais ao ninho! Sou uma simples mortal e mais não sei quê. Foca nisto: és grande, ó tu que tu auto-defines como menina :P

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    4. E tu, Pink, diz-lhe lá que estou a mentir. Ela é brilhante a contar histórias ou não é? E depois vem para aqui dizer que é mortalzinha e gosta de escrever umas coisitas... Bah! Lixe-se, menina, lixe-se! :P

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    5. Bem, nem sei o que dizer :) Deixaste-me sem palavras. Obrigada!

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    6. O Lápis foi recomendado , tal como tu, no meu blog e não foi à toa, ele tem um lado divertido fantástico mas este "coisinha" sabemos que não foi uma falta de respeito (soltei uma gargalhada de primeira , nem imaginas) e por isso gosto dele. Deve ser um tipo muito culto e inteligente que usa um apurado sentido de humor para criticar a sociedade tal e qual Gil Vicente.

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    7. Ela é brilhante, no seu registo, como uma amiga doce, amorosa e uma excelente profissional.
      Em querendo candidatar-se, eu recebo as candidaturas...

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    8. Não sabias o que dizer... Como se as palavras te atrapalhassem... Ai, esta rapariga, esta rapariga :P
      Pink: Não digas a ninguém quantas Mont Blanc tive de te oferecer para fazeres aquela recomendação, hã? :P E claro que o "coisinha! não foi com sentido pejorativo. Foi só naquela de embirrar com ela. Gil Vicente, querida Pink? Que lisonja! Estragas-me com mimos, tu. E a conta bancária também :P
      Sim, ela é brilhante no seu registo e punha-se a escrever qualquer coisa que lhe propuséssemos. Olha, Esmy, escreve aí a história do João Ratão em finlandês, se faz favor. Ela consegue, Pink. Queres apostar? :P Agora a sério, a rapariga pode ser uma excelente profissional noutra área, mas se sse dedicasse à escrita não seria menos que excelente. Isto é muito bom!
      Hã, Esmy? Já viste como entramos por aqui fora e falamos de ti como se não estivesses a ver? :P

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    9. Bom, arranjei uma parelha de fãs:) Escrever a história do João Ratão em Finlandês?! Ahahah, essa matou-me. Vou estudar com muito carinho a tua proposta, embora me pareça que vá demorar algum tempo :) Primeiro, terei de aprender finlandês:P

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    10. Sim amiga, tu és muito boa no que fazes e escreves bem mas eu pensava que ele , O lápis gostava do que eu escrevia. Quando entrares no meu blog, tens afia à tua espera. CIÚMES!

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    11. Medo :) Tu para mim continuas a ser única e acho que o lápis também gosta do que escreves! Oh pá, vinga-te nele, não em mim, eheheh

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  6. Amores inesperados?
    Sou o melhor exemplo.
    Vir encontrar a companheira para a vida a milhares de quilómetros do local onde nasci e vivi nunca me passou pela cabeça.
    Faz 19 anos no dia 25 de Outubro e há duas filhas a alegrar essa união.

    Sou totalmente fã de Cinematic Orchestra.

    Beijinhos, bfds

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  7. Ena, adoro essas histórias! Um dia tens de a contar :) Um excelente fds para toda a família. Beijinhos

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  8. Que história mais bonita, e que começou tão cedo! =)
    Beijinhos

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    1. É por ter começado tão cedo que tem aquele encanto tão singular! Beijinhos

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    2. Leva lá os teus 12 anos para aprenderes finlandês, mas não te esqueças :P Antes uma parelha de fãs que uma parelha de coices ou uma parelha de... vá, não digo palavras feias aqui que isto é um sítio distinto :P
      Pinkzinha, é evidente que te adoro e que escreves maravilhosamente! (Esta parte revela o medo que eu tenho de uma moça que sabe krav magah :P) A minha opinião sobre o que escreves continua a ser válida, mas o meu carinho pelas autoras não se esgota numa só. Estamos bem assim? Se não estivermos, engalfinhem-se à porrada uma com a outra, mas deixem-me fora disso :P

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    3. Ahahah, 12 anos?! E quanto à parelha estamos conversados :P Eu e a Pink à porrada, no way :)

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